O sorriso do Ano Novo

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Entrar no Ano Novo é como entrar num shopping center. É um universo pleno de incertezas. Não sabemos se é noite ou se é dia. Não sabemos se chove ou se faz sol. Não sabemos quem podemos encontrar. Não sabemos se vamos encontrar alguém conhecido. Não sabemos se tudo estará exatamente onde estava na última vez que estivemos lá.

Há no shopping elementos artísticos: a montagem das vitrines e a decoração dos corredores, por exemplo. Existe ainda uma arquitetura na construção do prédio, mais ou menos agradável de acordo com o olhar de cada um. E há uma educação de comportamentos padronizados, como ceder espaço a idosos, crianças ou pessoas com deficiência.

O Ano Novo é assim também. Queremos que ele seja repleto de arte, criatividade e de beleza, pois ansiamos por um mundo mais humano e agradável. Queremos construir nossas trajetórias como um prédio elegante em que impere a felicidade, que cada um entende felizmente de um jeito. E queremos uma sociedade mais educada, em que respeito e liberdade sejam palavras fundamentais.

Sair do Primeiro Dia do Ano Novo é como sair de um shopping center. As incertezas continuam. O que diferencia o 1.o de janeiro é que ele nos alimenta a esperança. Parecem ser 24 horas mágicas, sem medo. Acreditamos por momentos que tudo pode ser novo embora pareça igual. E isso é muito mágico, como o sorriso espontâneo de uma criança vendo fogos de artifício no céu.

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Foto: © Chensiyuan

Oscar D’Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura, mestre em Artes Visuais e assessor de Comunicação e Imprensa da Unesp

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