Centro de Capacitação Tecnológica em Bambu

Projeto envolve Unesp, MCTIC, ITESP e Comunidades Rurais

No dia 9 de agosto de 2016, na Unesp Câmpus de Itapeva, ocorreu a inauguração do Centro de Capacitação Tecnológica em Bambu – CCT Bambu, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações – MCTIC. O convênio SICONV no 812953/2014, celebrado entre as partes, tem por objeto o “Cultivo e Transformação do Bambu como Alternativa Sustentável para Geração de Renda na Agricultura Familiar”, em que o principal objetivo é introduzir e fortalecer o uso de bambu como uma alternativa sustentável para geração de renda na agricultura familiar, com a realização de assessorias e cursos para capacitação, mobilização e desenvolvimento de produtos de maior valor agregado.

A iniciativa da criação do CCT nasceu de uma reunião realizada em Brasília, no ano de 2014, em que representantes do MCTIC mostraram interesse sobre o trabalho da Profa Draa Juliana Cortez Barbosa sobre as potencialidades do uso do bambu.

A região de Itapeva foi selecionada como sede do projeto, pois pertence ao Consórcio de Desenvolvimento das Regiões Sul e Sudoeste do Estado de São Paulo (CONDERSUL) e CONSAD Sudoeste Paulista (Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local). Outra área principal selecionada para atuação é a região das comunidades quilombolas no Vale do Ribeira (Barra do Turvo), assessorada pelo ITESP, devido a dois fatores fundamentais: vocação agroflorestal organizada em unidades familiares agrícolas, apresentando um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado de São Paulo (IBGE, 2010), bem como a ocorrência de estoques naturais de algumas espécies nativas de bambu. Essa área de intervenção para introdução da cultura do bambu é conhecida como o “corredor da fome” no Estado de São Paulo, pois nessa região vivem diversas famílias em extrema pobreza.

O projeto conta com diversos parceiros, como o Instituto de Terras do Estado de São Paulo – ITESP, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI, o Grupo de Pesquisa LIGNO, o Programa de Educação Tutorial – PET Ligno e a PROMAD, Empresa Junior da Unesp de Itapeva.

Durante o projeto serão oferecidas, inicialmente, nove capacitações gratuitas às comunidades, sendo elas: sensibilização ao potencial do bambu, silvicultura, produção de utensílios domésticos e pequenos objetos, produção de cestarias, produção de móveis, produção de brotos comestíveis de bambu, construção de estruturas, construção de estufas agrícolas e produção de carvão, podendo novos cursos ser oferecidos conforme interesse da comunidade.

Entre esses cursos, alguns são ministrados por pessoas especializadas e de destaque no assunto, como foi o caso de um dos cursos sobre construção de estruturas com bambu, ministrado pelo professor Romulo Rodriguez Castro, da Universidad de Guayaquil/Equador, contando com a participação de alunos da Unesp, instrutores do SENAR, alunos da USP, representantes do ITESP e produtores rurais da região, totalizando 105 participantes.

 

 

Os cursos de produção de broto de bambu em conserva e produção de carvão foram ministrados pelo engenheiro agrônomo Carlos Antônio Ciprandi, produtor rural no município de Planalto, no Rio Grande do Sul, e primeiro brasileiro a conseguir financiamento para o plantio do bambu com recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Carlos Ciprandi é também o presidente de honra do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Bambu Ka Ha, organização sem fins lucrativos sediada em Planalto/RS que busca disseminar os conhecimentos sobre o bambu pelo Brasil, e dono da empresa Bambu Ka Ha – Madeira do Bem, que tem buscado investir em novos plantios de bambu e na comercialização de brotos, colmos, mudas e produtos laminados por todo o Brasil.

De agosto a dezembro de 2016, foram capacitadas 271 pessoas pelos cursos oferecidos, mostrando grande interesse dos produtores e comunidades rurais em utilizar o bambu. Para o ano de 2017, muitos outros cursos já estão sendo agendados, e novos temas estão sendo estudados para aumentar ainda mais o interesse dos participantes.

Até o encerramento do projeto em meados de 2018, o CCT Bambu espera capacitar no mínimo 500 pessoas, em cultivo, manejo e transformação de bambu

Apesar das áreas de atuação iniciais serem a região de Itapeva e Barra do Turvo/SP, o projeto tem ido mais longe, e não parou apenas no Brasil. Nos meses de setembro e outubro de 2016, as Profas. Dras. Elen A. M. Morales, Juliana Cortez-Barbosa e Maristela Gava foram convidadas a participar como conferencistas do Congreso Internacional de Interdisciplinariedad y Desarollo – Ecosistemas e Ecoformación: “Perspectivas para una sociedad sostenible y sustentable” (CIID), Barranquilla/Colômbia, e do IV Simposio Internacional del Bambú y la Guadua (IV SIBGUADUA), Bogotá/Colômbia, para divulgar o projeto brasileiro de desenvolvimento regional com bambu, além de realizarem várias visitas técnicas e workshops. O foco do congresso CIID foi desenvolvimento e inovação tecnológica, registro de patentes e transferência de tecnologias sociais, além de apresentar temas como sustentabilidade, importância das parcerias entre empresas e universidades, responsabilidade social, dentre outros.

As Profas. Dras. Juliana Cortez Barbosa e Elen A. M. Morales apresentaram conferências neste congresso e foram entrevistadas para relatarem as experiências vividas no projeto financiado pelo governo federal. Isso é de extrema importância não somente para a Unesp em sua divulgação como universidade, mas também aumenta a visibilidade do Câmpus de Itapeva, do Laboratório de Mobiliário e Construção e do Grupo de Pesquisa Ligno, bem como de projetos na área. O congresso contou com a participação de importantes ícones da cadeia produtiva do bambu, conhecidos internacionalmente, como o engenheiro Marcelo Villegas, a taxonomista Ximena Londoño, o construtor da famosa Green School, em Bali, o alemão Jörg Stamm, considerado um dos maiores construtores de bambu do mundo, especialista em pontes e grandes edifícios. Outro desdobramento de extrema importância desse encontro foi a possibilidade de se estabelecer intercâmbios com o Laboratório de Mobiliário e Construção para organização de futuros eventos do CCT Bambu e parcerias para o desenvolvimento de pesquisas em conjunto.

Até o encerramento do projeto em meados de 2018, o CCT Bambu espera capacitar no mínimo 500 pessoas, em cultivo, manejo e transformação de bambu, além de instalar 12 viveiros para produção de mudas de espécies de valor comercial nas comunidades atendidas para geração de renda dos produtores.

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Juliana Cortez Barbosa é tutora do Grupo PET LIGNO e professora – Líder do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento de Produtos Lignocelulósicos – LIGNO/CNPq na Unesp de Itapeva.

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Foto de abertura: © LoggaWiggler / Pixabay

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